Teoria Geral dos Sistemas e Alquimia foi um trabalho feito em 1980. A prof.ª Elida Sigelman sugeriu a obra homônima de L. von Bertallanfy. Donde fiz dois trabalhos, um demonstrava o meu entendimento da ambiciosa proposta do autor. O segundo é este, um “insight” na medida em que percebi certas inscrições em latim. As explicações estão no corpo do trabalho.
ISOP / FGV CENTRO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
TEORIA GERAL DOS SISTEMAS E ALQUIMIA
AUTOR: CELSO LUGÃO DA VEIGA
OUTUBRO / NOVEMBRO, 1980
“ÀS VEZES AS SUPERSTIÇÕES DOS PRIMITIVOS SÃO TÃO FORTES QUANTO OS FATOS CIENTÍFICOS”.
DR. BENTON QUEST
RIO DE JANEIRO – BRASIL
ATENÇÃO: I – As letras em vermelho significam que existem apêndices para facilitar a compreensão do texto. II – Os números em vermelho indicam a existência de notas explicativas referentes aos termos insólitos, bizarros.
“Medios esse jam nom licet”
“Já não é permitido ficar neutros”
TEORIA GERAL DOS SISTEMAS E ALQUIMIA
Pode parecer estranho, mas tentarei demonstrar que Ludwig Von Bertalanffy é de certa forma um continuador da alquimia em sua acepção esotérica. Tudo começou quando ao abrir o livro de Bertalanffy deparei com inscrições em latim na página introdutória, onde se lê: “Manibus Nicolai de Cusa Cardinalis, Gottfriedi Guglielmi Leibinitii, Joannis Wolfgangi de Goethe Aldique Huxleyi, necnon de Sertalanffy Pauli, S.J., entecessoris, cosmographi”.
Como diriam os antigos: “isto para os não iniciados pouco valor tem, mas é fundamental para os bruxos!”.
Desta forma resolvi levantar uma série de elementos, os quais trouxeram-me inclusive dados que corroboram a hipótese das coincidências de Jung (sincronicidade). (A)
Bem, primeiro vejamos o que significam os termos “manibus” “necnon”, “antecessoris” e “cosmographi”, os outros são nome próprios de personagens ilustres como Leibniz ou Goethe.
Em latim existem declinações a casos, de maneira que conforme a terminação da palavra ela (B) tem determinada função. Portanto “manibus” provem de “manus”, mão, “necnon” significa também, “antecessoris”, antecessores, precursores e “cosmographi”, a descrição de um sistema ordenado, neguentrópico. Em seguida seria conveniente uma análise dos nomes próprios citados por Bertalanffy e suas principais contribuições.
Nicolau de Cusa é o primeiro.
Este teólogo alemão que viveu de 1401 até 1464 (63 anos) antecipou a teoria do sistema copernicano e em matéria de religião, aproximou-se de idéias panteístas. Sua contribuição, que visivelmente impressionou a Bertalanffy, foi o conceito da coincidência dos contrários, “coincidentia oppositorum”, é inclusive com o cardeal de Cusa que Bertalanffy encerra seu livro.
Vejamos alguns trechos extraídos da página 329: “Todo o nosso conhecimento, mesmo desantropomorfizado, só reflete certos aspectos da realidade”.
Se isto é verdade então a realidade é aquilo que Nicolau de Cusa chamava “coincidentia oppositorum”. O pensamento discursivo representa sempre um aspecto da realidade última… Nunca pode esgotar sua infinita multiplicidade. Por conseguinte, a realidade última é uma unidade de opostos. Toda afirmação é válida somente de um certo ponto de vista, tem apenas validade relativa, devendo ser suplementada por proposições (notar a semelhança disto com o Zen-budismo e o Tao) antitéticas originadas de pontos de vistas opostos.
Nikolaus Von Kues (versão alemã) estava envolvido por um pensamento alquímico, isto é, a verdade reside na síntese, que também é o pensamento da filosofia Zen, veremos isto mais tarde.
Agora vamos examinar Gottfried Wilhelm Leibniz (1646 – 1715 * 70 anos de vida), contemporâneo de Locke e de Newton, e que concebeu o “cálculo” mais ou menos ao mesmo tempo que Isaac Newton, porém independentemente deste.
Além de ser conhecido pela sua “Monadologia”, isto é, átomos auto-suficientes que não interagem, e como nos lembra Norbert Wiener, na época de Leibnitz as máquina mais aperfeiçoadas eram os relógios, o que justificava a concepção do paralelismo psicofísico (harmonia preestabelecida) defendida por Leibnitz. No entanto, um aspecto desconhecido da biografia e obra de Leibniz está contido em diversas obras antigas que assinalam que ele ingressou em Nuremberg, na sociedade alquímica Rosa-Cruz “Fruchttragende Gesselschaft”, na qual ocupava as funções de secretário por volta de 1667. Seus ideais tinham inteira coincidência com os propósitos rosa-cruzes e segundo consta Leibniz tratou por todos os meios de relacionar-se com os verdadeiros membros da ordem, tendo fracassado em seus intentos, pelo menos até 1696, como expressa sua correspondência com Cochiasky. É interessante notar que “Monadologia” surgiu em 1714 após os “Essais de Throdicée” de 1710!
Vejamos como Bertalanffy refere-se a Leibniz: (pag. 327) “Pode ser que a estrutura de nossa lógica seja essencialmente determinada pela estrutura de nosso sistema nervoso central. Este último é essencialmente um computador digital, visto que os neurônios operam de acordo com a lei fisiológica do tudo-ou-nada, em termos de decisões sim-ou-não. A isto corresponde o principio heráclito de nosso pensamento por opostos; nossa lógica bivalente sim-ou-não, a álgebra de Boole e o sistema binário de numeração…” Segue-se uma nota de rodapé explicativa relacionada com o sistema binário.
“Convém notar o motivo teológico que há na invenção do sistema binário de Leibniz Representa a Criação, pois qualquer número pode ser produzido por uma combinação de “algo” (1) e “nada” (0). Mas, esta antítese metafísica tem realidade ou é apenas uma expressão de hábitos lingüísticos e do modo de ação do nosso sistema nervoso?” É visível que Leibnitz, segundo Bertalanffy, estava tentando operacionalizar as leis da criação, e que como Nicolau de Cusa buscava uma idéia sintética do Universo.
Investiguemos agora Johann Wolfgang Von Goethe (1749 – 1832 * 83 anos de vida), alemão também como Nicolau, Leibnitz e Bertalanffy! Comecemos pelo livro de Ludwig Von Bertalanffy. Goethe é citado por causa de uma ataque realizado à Newton, à óptica newtoniana, pois Goethe acreditava que haviam aspectos negligenciados por sua teoria. (pag. 326)
Justamente um ataque a uma simplificação do sistema mecanicista de I. Newton! Mas o que fez Goethe em seus 83 anos de vida? Muita coisa. Dedicou grande parte de sua vida a literatura e apenas após a morte de seu amigo Schiller, em sua velhice, é que se dedicou a estudos científicos (Teoria das Cores, Botânica, Geologia, etc…). A obra de Goethe, pode-se dizer, está “arquetipicamente” ligada ao cérebro de todo pensador alemão; (segundo fui informado, Jung era neto de Goethe inclusive). Mas isto são apenas colocações pertinentes.
O Fausto de Goethe, sua obra máxima, simboliza o espírito humano em busca da suprema verdade, e suas relações (As relações de Goethe, pois o Fausto, produto do pensamento genial, é uma obra visivelmente de caráter transcendental) em Weimar, em 24-06-1780, deu verdadeiro impulso à mesma e compôs numerosos poemas de inspiração maçônica.
Em 1830 foi solenemente celebrado o cinqüentenário maçônico do poeta. Parece claro que Goethe também estava ligado as tradições esotéricas e alquímicas com os outros. Como meu objetivo é dar uma descrição, não há porque entrar em detalhes.
Observemos Aldous Huxley (1894 – 1963) escritor inglês que produziu notáveis trabalhos na área da “quebra” do conhecimento estabelecido, por exemplo: “O tempo deve parar” é uma novela ocultista; “A Filosofia perene” é um ensaio místico e “As portas da percepção” (citado por Bertalanffy) é um estudo sobre os efeitos da mescalina, droga que se obtém de um cactus (Anhalonium Lewinii).
Neste último trabalho, uma citação de William Blake, escolhido por Aldous Huxley, nos revela um pouco da sua natureza, vejamos: “Se pudesse-mos limpar as portas da percepção, tudo se revelaria ao homem tal qual é: infinito”.
Citação de caráter expeculativo e transcendental. Finalmente o famoso “Admirável mundo novo”, uma sociedade cientificamente ordenada, citada também por Bertalanffy (na página 80). Ficamos então com a visão clara de um pensador (A. L. Huxley) preocupado em discernir a verdade através de caminhos poucos ortodoxos, e que tenta teorizar sobre um “Brave new World” e suas implicações éticas e científicas.
Finalmente restam dois nomes: “Bertalanffy Pauli”. Segundo penso, Pauli é o nome do famoso físico Wolfgang Pauli, autor do “Princípio da Exclusão” e da hipótese do neutrino. Esta idéia do neutrino, no fim da conferência de Copenhague sobre física nuclear, lhe valeu (à Pauli) uma paródia por parte de seus colegas que achavam-no um tanto quanto audaz. Escolheram por tema o Fausto, de Goethe; Pauli no papel de Mefistófeles e o neutrino no papel da Margarida. (Reparem as coincidências desta escolha!)
É interessante notar que Pauli acreditava em fatores não-causais e não-físicos que operam na natureza. Pauli tinha uma visão mais profunda do que seus confrades sobre as limitações da ciência.
Aos 50 anos escreveu um ensaio minucioso sobre a ascensão da ciência vinda do misticismo, segundo as idéias de Johannes Kepler que, além de místico, foi o fundador da astronomia moderna.
O ensaio intitulava-se “A influencia de idéias arquetípicas sobre as Teorias cientificas de Kepler”.
W. Pauli colaborou com C. G. Jung na elaboração de uma “Teoria da Sincronicidade: princípio de conexão a-causal”, que é considerado mais um ato simbólico, porque envolve um dos maiores físicos da época colaborando com um dos maiores psicólogos; não é este um dos objetivos da TGS de Bertalanffy, a colaboração interdisciplinar?
Bem, vamos agora fazer um retrospecto do que foi visto e fazer alguns esclarecimentos. Primeiro, afirmei que Bertalanffy é um continuador da idéia central da Alquimia; e qual é essa idéia?
Pedra Filosofal Luganiana
Quando nos remontamos a história da alquimia podemos ver a síntese do conhecimento (aspecto metafísico da TGS) simbolizada pela pedra filosofal (exoterismo); e as transmutações alquímicas são (ou seriam) a (1) reificação de processos biológicos e físico-quimicos supostamente conhecidos e manipulados pelos mestres.
Logo a idéia central repousa no esoterismo. Dar uma idéia clara da alquimia sob o ângulo esotérico implica, em primeiro lugar, esclarecer a diferença básica entre dois termos: esoterismo e exoterismo.
A primeira palavra está ligada a idéia de essência, isto é, aquilo que transcende o caráter externo das coisas, aquilo que é comum, em última análise, apesar de se manifestar por diferentes meios. A segunda palavra é justamente aquele caráter externo das coisas referido no parágrafo anterior, isto é, são as diferenças na manifestação de uma verdade. Naturalmente estes termos estão muito vinculados ao vocabulário místico e religioso, mas podem ser transferidos com algum cuidado para outros campos, por exemplo o antropológico. Vejamos um exemplo da aplicabilidade dos termos. Se pegarmos duas religiões quaisquer e fizermos um estudo profundo, nos surpreenderemos com certos aspectos que transcendem o espaço-tempo, a estrutura lingüística e as diferenças aparentes. Tal estudo recebe o nome de análise mitopoética, cuja função é analisar a produção de mitos, sua formação e estrutura, lembrando sempre que todo estudo envolve uma observação que deve estar apoiada em um referencial. Uma série de estudos deste tipo se acham em andamento, e alguns já estão concluídos (ver Patai, R. “O mito e o homem moderno”), e inúmeros exemplo nos surgem, é o caso das teorias escatológicas ou do mito de um super-herói, seja Thor (mitologia nórdica), Herácles (mitologia grega), Hércules (romana), Gilgamés (persa) ou Super-homem (EUA).
O esoterismo reside na produção, nos elementos comuns (idéia de nascimento, vida e morte, super-poderes), o exoterismo é justamente os diferentes feitos (matar leões, quimeras ou ogros), mas sempre nos deixam a sensação de já ter ouvido esta história antes. A abordagem das teorias da personalidade de Salvatore Maddi revela-nos estes 2 aspectos: núcleo e periferia.
Núcleo seriam os constantes (K), aquilo que é comum a todos os homens, e periferia seriam as diferenças, por exemplo, as tipologias de Eysenck ou Kretschemer. Será que não há semelhança nesta abordagem com a idéia do esoterismo e do exoterismo? Creio que a idéia básica já foi compreendida, assim passarei a discorrer sobre o aspecto esotérico da Alquimia, porquanto a vertente exotérica envolve uma massa de informações que o atual trabalho não comporta.
A idéia esotérica da Alquimia pode ser formulada da seguinte maneira: trata-se de um saber que postula a possibilidade de um conhecimento sobre as leis transformacionais da Natureza, envolvendo com isto a idéia de uma “chave” que teria a propriedade de converter elementos básicos em outros, ou seja, esta “chave” exerceria um papel fundamental no controle do homem sobre a Natureza. Estes “elementos básicos” podem não ser necessariamente os elementos químicos; podem ser aspectos psíquicos ou processos físico-químicos.
É interessante notar que os objetivos da Alquimia são os mesmos da Ciência, senão vejamos: codificação e decodificação de regras, controle e previsibilidade de fenômenos.
Além disso, o caráter transformacional da ciência, isto é, sua capacidade de operar na Natureza, provém sem dúvida do advento do fogo e da sua utilização pelos ferreiros e alquimistas. O que acontece é que a nossa concepção sobre o mundo é sempre pretensiosa, aliás a pretensão é um elemento básico nas especulações do homem. Quero dizer com isto, que é possível que o nosso pensamento racional, afinal não seja tão somente racional, mas também muito influenciado pela emoção do Renascimento! O que dizer da concepção Ciência x Religião antes do Renascimento?
Certamente não era tão distante e dicotomizada como nossa percepção atual (quase congênita) a vê. Pelo menos a Alquimia e a Química ainda se namoravam, Leibnitz e Newton faziam Física e Teologia, e quantos outros pensadores não produziam ciência e religião indiscriminadamente? Bem, hoje em dia suas obras acham-se bem separadas: aquilo que gerava controle, eficiência, para um lado (o da Ciência), aquilo que produzia duvidas, incertezas, para o outro lado (Filosofia ou/e Religião). E quando questionamos alguns entendidos sobre isto, obtemos uma resposta do tipo: “produto cultural de mentes brilhantes influenciadas pelo Zeitgeist ou/e Ortgeist da época”.
Esquecemo-nos, portanto que os aspectos motivacionais que os fizeram pensar sobre determinados assuntos são complexos e permeados de enigmas, pulsões, crenças, enfim, informação ou engramas de todos os aspectos: orgânicos, culturais, sociais, psíquicos, e sabe lá o que mais? É, pois uma vida, um cérebro numa época, gerando frações de conhecimento que serão somadas ou subtraídas infinitamente, mas cujo denominador será sempre o mesmo: o desconhecido. Pois neste cálculo, nem todos os números do mundo produzirão uma fração imprópria já que o desconhecido transcende a noção de infinito! Afinal está é a própria idéia do teorema de (C) Gödhel, que veio demonstrar que sistemas lógicos são rigorosamente incompletos. Portanto se apenas por um momento pudéssemos entrever os termos, as fundações e ditames esotéricos da Alquimia e da Ciência, ficaríamos fascinados com a semelhança de seus caracteres. Se por um momento deixarmos o jogo de palavras, próprio daqueles que sentem a ameaça de uma volta ao “Maleus Malleficarum”, descansar, isto é, se pudéssemos fazer o cientista e o místico fanáticos pararem de se degladiar e insultar, e trazer a baila o espírito perquirido do sábio que não se envergonhava de ser chamado de bruxo, ou sábio, como Galileu, porque sabia que o importante era a busca do conhecimento. Então creio que retomaremos o fio da meada dos alquimistas, porém armados de métodos e técnicas nunca antes sonhado pelo homo-sapiens. E que fio é este? É justamente a idéia central alquímica, a capacidade de controlar uma “chave” que opere em quaisquer tipos de processos, sejam estes físicos, bio-químicos ou psicológico, fornecendo assim um “modus operandi” capaz de realizar a síntese do conhecimento científico. Bertalanffy, assim como K. Lewin, criou sistemas descritivos, mas não esclareceu qual o mecanismo que permite as passagens, as homeostases, enfim, como operar de um lado para outro.
Este mecanismo é a chave que também foi perseguida pelos alquimistas. Reparem então que Bertalanffy cita seus precursores, os quais estavam vinculados a idéia de síntese do saber e insurreição contra a ciência normal, e cita um contemporâneo (Pauli) que é tido em Copenhague como o próprio Mefistófeles! Penso que, na verdade o livro de Bertalanffy é uma “tentativa (2) ouspenkiana” de traduzir a alquimia para parâmetros científicos.
A teoria geral dos sistemas é a tentativa de concretizar o sonho alquímico! Todo pensador tem uma preocupação fundamental com o caráter antropomórfico da Ciência. E por mais que este estabeleça diferentes níveis de verdades (formal, empírica) persistirá sempre a duvida sobre aquele conhecimento, porque basicamente foi construído por um homem. Existirá sempre uma fração de ideologia, de subjetivismo, e o pensador tentará sempre desantropomorfizar o saber.
E de que modo isto seria possível? Se fizermos uma analise sobre a verdade formal, a verdade empírica e a verdade ideológica, veremos que é impossível, em última análise, superar uma da outra, o que se pode (e se deve) fazer é vigiar epistemologicamente cada uma delas, e reduzir ao máximo os fatores de distorção.
Sabemos que diante da ambigüidade o cientista tende a fechar, ideologicamente, a closura. Assim a verdade formal emite um modelo formal que tende a ser preenchido por um construto teórico, o qual tenderá a se transformar em verdade empírica, mas como a verdade absoluta nunca é atingida fecha-se o sistema com a verdade ideológica. A escola “new look in perception” demonstrou inclusive a força de caráter emocional neste preenchimento. Bertalanffy diz que “uma característica essencial da ciência é que ela se desantropomorfiza progressivamente… (p. 321) e uma das funções da ciência é expandir o observável” (p.322) através de órgãos sensoriais artificiais apropriados, assim podemos “ouvir” o ultra-som e “ver” as micro-partículas da Física.
Outro ponto importante é a convergência da pesquisa, ou seja, a ciência verifica “suas descobertas por meio mutuamente independentes”. (p. 323)
Um terceiro aspecto da desantropomorfização progressiva da ciência surge após a análise do fenômeno, uma vez que esta análise nos mostra que as qualidades secundárias do fenômeno desaparecem, enquanto que as qualidades primárias também desaparecem porque são formas da intuição humana. Em experiências realizadas mostrou-se que o espaço da percepção visual e táctil não é de modo algum euclidiano, pois o fato do organismo estar sujeito à gravidade contribui para a desigualdade das dimensões horizontal e vertical. “O que resta finalmente é somente um sistema de relações matemáticas” (p. 324).
Sistema este que funciona independente do antropomorfismo, permitindo ao homem através de um algoritmo, (isto é, de um processo formal de calculo ou de uma série de operações matemáticas) prever resultados que transcendem os dados iniciais do problema.
Daí Bertalanffy usar a imagem pictórica do livro de G. A. Bürger sobre as incríveis façanhas do barão de Münchhausen, (pag. 324) no episódio ilustrado por Gustavo Doré, quando o barão salva a si e a seu cavalo do lodo puxando-se pelo próprio cabelo!
Esta é exatamente a propriedade incrível do algoritmo, adquirir “vida própria” (p. 324). E os exemplos desta transcendência sobre os dados iniciais de um problema são dados em cima da Química, a célebre previsão de elementos, por ser uma dedução lógica sua existência; assim como na Astronomia quando Clyde Tombaugh, no observatório de Lowell em 1930, previu e confirmou a existência de Plutão.
Desta forma, tanto (D) Mendeleiev, como (E) Tombaugh, Lowell ou Pickering, puderem predizer fenômenos que não eram mera reprodução dos dados iniciais dos seus respectivos problemas, mas a antecipação de fatos, graças à formulação de algoritmos.
Portanto uma vez estabelecida as relações matemáticas que estas permanecem constantes, pois apesar da constituição psicofísica do homem, existe um conhecimento que transcende aos seus modelos (3) “antropoperceptivos” e não é fruto de convenções do homem, mas sim são leis processuais da Natureza. E o homem passa assim a ter a chave alquímica da convenção natural, ou seja, ele percebe e controla a essência, o aspecto esotérico. Neste momento seria interessante penetrar nos mistérios pitagóricos.
Pitágoras foi um filósofo grego que viveu por volta do século VI a.C; não deixou nada escrito como muitos outros filósofos, daí as informações que nos chegam devem ser tratadas levando-se este fato em consideração. Desta forma o pitagorismo nos chega através de fragmentos deixados por diversos filósofos, sendo que nem Pitágoras, nem os primeiros discípulos, nada escreveram. Filolau e Arquitas são considerados como pertencentes a um pitagorismo posterior; e estes sim deixaram escritos. Platão também escreveu sobre o movimento.
Enfim o pitagorismo exerceu profunda influencia na filosofia grega, quer pela reação polêmica que provocou (Xenófanes, Heráclito, Parmênides, Zenão), quer pelos elementos positivos que passaram aos pensadores posteriores. É difícil, porém achar dados sobre eventos que foram “banidos” da “ciência oficial”; reporto-me à dificuldade de encontrar estudos sérios e que, apesar de sérios, acabam por não enxergar tudo devido à óptica tecnológica e “superior” do século XX. Tentemos! Bertrand Russel afirmou que a ciência moderna está em vias de retornar às disciplinas pitagóricas. Ora, sabemos que existem inúmeros pensadores que pesquisaram a historia e levantaram hipóteses sobre o pitagorismo; vejamos alguns destes pontos de vista, naturalmente nem tudo é subjetivismo porquanto existem inúmeras obras pesquisadas.
Creio que Arnold Toynbee pode ser trazido para o tribunal, sem dúvida um pesquisador dos mais sérios. Toynbee nos dia que “os ritos e doutrinas órficas e o sistema de filosofia pitagórica parecem ter sido versões populares e intelectualizadas de uma religião que, como o culto de Dionísio, vinha de fora do mundo helênico” (Toynbee – 1975 – p. 63 – Helenismo). “Uma possível fonte comum para esses fenômenos religiosos idênticos na Índia e na Hélade pode ser a Grande Estepe Eurasiana”. Notamos que o saber religioso provém de algum lugar, e notaremos também, ao lermos qualquer literatura pertinente, que sempre existe alguém que instruiu aquele mestre ou aquele outro, e que ao nos aprofundarmos mais e mais estaremos rumando para Sumer, ou uma civilização ainda mais antiga. É importante que isto seja pesquisado! Para que Pitágoras fundasse uma comunidade na Grande Hélade que tivesse objetivos contrários ao sistema político vigente, era preciso que esta fosse radicalmente diferente do tudo o que havia.
Daí quando A. Toynbee nos diz que se “Pitágoras, e seus adeptos, tivessem obtido na política o êxito que tiveram na Matemática, a história poderia ter tomado um curso inteiramente diverso” (Toynbee – 1975 – p. 63), ele se esquece, ou deixa implícito, que é muito difícil para um homem, em qualquer época, voltar-se contra um Império!
Toynbee reconhece que o pitagorismo foi uma ponte entre a fraternidade religiosa primitiva e a moderna academia cientifica ocidental; e vê Pitágoras como um dos cinco grandes videntes que surgiram no (4) Oikoumenê do velho mundo. (Toynbee – 1979 – p.228). Para Toynbee existe uma fonte comum entre o pensamento de Buda e de Pitágoras, como já foi citado, mas não há uma análise esotérica destes sistemas.
Outro historiador, Mircea Eliade, interessado mais nos aspectos religiosos e explicativos dos sistemas se reporta à Orfeu para em seguida estudar o pitagorismo.
Embora sua análise do orfismo seja importante não caberia no presente trabalho, mas quero apenas frisar que esotericamente os sistemas pitagóricos e órficos são análogos, embora seja difícil pesquisar outra relação devido a falta de tempo e bibliografia especializada.
Mircea Eliade nos diz que “o grande mérito de Pitágoras foi ter assentado as bases de uma “ciência total”, de estrutura holística, na qual o conhecimento cientifico estava integrado num conjunto de princípios éticos, metafísicos e religiosos, acompanhado de diversas “técnicas do corpo” (Eliade – 1989 II – vol 1 – p. 214).
“Em suma, o conhecimento tinha uma função ao mesmo tempo gnosiológica, existencial e soteriológica. É a ciência tradicional que se pode reconhecer tanto no pensamento de Platão como entre os humanistas do Renascimento italiano, em Paracelso ou nos alquimistas do século XVI. “Ciência total” como era compreendida, sobretudo pela medicina e pela alquimia indianas e chinesas” (Eliade – 1979 II – vol. 1 – p. 215).
Uma nota de rodapé diz que: “O fato de depois de Aristóteles, esse tipo de “ciência total” perder o seu prestigio e haver uma mudança na metodologia cientifica, “não implica de modo algum a insuficiência do método holístico. Trata-se simplesmente de uma nova perspectiva e de outro “telos”.
A alquimia não era uma ciência química embrionária, mas uma disciplina solidária de outro sistema de significações, e que visava a um objetivo diferente do da química” (p.215).
Karl Jaspers chamou o período em que vivem Pitágoras de “Período Axial”, isto é, um período que constitui o pivô sobre o qual girou a história humana.
Segundo o “Dicionário Astronômico”, Pitágoras é geralmente considerado o precursor de Copérnico, por haver sido o primeiro a admitir a revolução da Terra derredor do Sol. O que nos resta senão dúvidas?
Creio que o leitor atencioso já percebeu que existem vários níveis de análise de qualquer problema, principalmente quando se trata de uma pesquisa histórica.
Assim, quando A. Toynbee (Toynbee – 1979 – p. 229) diz que Pitágoras é o único dos cinco videntes que não influencia a humanidade hoje em dia, pergunto-me: qual o referencial de Toynbee? Ou será um erro de tradução esta informação?
A declaração de Russel (pag. 13 deste trabalho) parece-nos diametralmente oposta à de Toynbee, e não apenas isto, os fatos também revelam isto!
Afinal Bertalanffy em sua análise da desantropomorfização do saber chega ao saber pitagórico!
Vejamos uma síntese do pitagorismo, com visões um pouco mais ousadas porém fundamentadas por inúmeros textos.
O que distingue o pitagorismo das outras éticas baseadas na harmonia, é que a única via de acesso ao conhecimento indispensável, ou “gnose”, é a base matemática, segredo cautelosamente reservado e ao qual só podiam apitas os iniciados de segundo grau.
Pitágoras era de opinião que a maior felicidade consistia em assistir ao ritmo do universo dirigido pela perfeição dos números, pois todas as coisas foram criadas de acordo com o número, inclusive o tempo, o movimento, os céus, os astros e todos os ciclos de todas as coisas. O maior mérito de Pitágoras é de ter ordenado os produtos da intuição dos seus antepassados e predecessores (hebreus, fenícios, árabes, arianos da Índia e egípcios). A contribuição original dos pitagóricos é, pois, uma invenção extremamente importante: a significação do número e, portanto, a possibilidade de uma investigação exata em física.
A idéia “platônica” da “música das esferas” não é platônica, mas sim pitagórica, e como já vimos esta contribuição original dos pitagóricos, também não é original, pois seja lá quem tivesse sido Pitágoras, o fato é que ele foi iniciado por “alguém” nos mistérios da Alquimia!
É importante este caráter esotérico da análise, pois nos faz refletir e pesquisar a fundo o problema.
Por exemplo, o vegetalismo órfico seguido por Empedócles, tem um caráter exotérico, expliquemos. A justificativa para se abster de comer carne era a metempsicose, isto é, a teoria da transmigração da alma, pois o animal que abatemos pode trazer dentro de si a alma de uma dos nossos parentes próximos. Encaremos isto pelo lado esotérico. Tal recusa proclamava a rejeição, na sua totalidade, do sistema religioso grego. Era uma posição ideológica e não ritual!
Era precisamente negar o sacrifício de Prometeu e inclusive subverter a teogonia grega homérica através da metempsicose, pois era uma idéia incompatível com os deuses antropomorfizados do Olimpo.
A metempsicose inclusive inverte o valor dos mecanismos mnêmicos (5) (“Fonte de Lete”), pois antes da teoria da transmigração o sujeito morria e bebia para esquecer quem foi em vida.
Após a metempsicose o sujeito volta, reencarna, e então bebe para esquecer o mundo do além. As implicações éticas desta mudança são enormes!
Mas não há tempo para análise disto, pois tal não é o nosso propósito atual.
Enfim por seu matematicismo sistemático o pitagorismo contribuiu para a formação do racionalismo ocidental, e lembrando do nosso caráter esotérico nesse estudo é interessante nota que: embora não haja “provas” sobre muito que é dito pertencendo à obra de Pitágoras, o importante é que alguém teve idéias; idéias estas que são fundamentais para a atual Ciência.
Certa vez Leibiniz disse que a música é “exercitium arithmatical occultum nescientis se numerare animi”. (O exercício de aritmética oculto do espírito que não sabe calcular).
Os pitagóricos teriam podido dizer o mesmo do Universo, mas sem poder dizer quem faz o cálculo!
Espero que o leitor possa parar agora, e refletir sobre este trabalho holisticamente, pois a fascinação do mundo grego às vezes nos faz esquecer de nós próprios!
Daremos um “brief”. Um resumo…
Comecei mostrando os dados que me levaram a imaginar Bertalanffy como um continuador da Alquimia, para tanto levantei dados biográficos dos seus predecessores.
Em seguida procurei explicar a ideia central (esotérica) da Alquimia.
Dentro desta explicação procurei mostrar que o interessante é pesquisar os sistemas conscientes de nossos preconceitos do século XX, talvez a tecnologia seja o maior deles pois nos faz esquecer que não somos onipotentes.
Foi quando eu me referi a concepção Ciência X Religião.
Finalmente, dentro do espírito do título deste trabalho, procurei apontar a preocupação primordial de todo pensador: o caráter antropomórfico da Ciência.
Analisei as relações matemáticas e tentei mostrar que tal ideia não é monopólio do século XX ou XIX.
Recorri à Pitágoras uma vez que os dados sobre seus estudos são encontrados sem muita dificuldade; além disto seu sistema alquímico revela aspectos externos e internos semelhante a TGS de Bertalanffy.
A unidade da concepção do mundo através de um campo lógico-matemático é a ideia chave da TGS e da Alquimia.
Uma lógica capaz de abarcar até mesmo a teleologia, o significado; seria desta forma que poder-se-ia “objetivar” um sistema primordialmente subjetivo, como é o das intenções humanas, pois parece que a operacionalização de processos cerebrais humanos, para processos cerebrais artificiais, é uma tentativa antiga de corroborar nossa crença em um Deus-criador, e ao mesmo tempo de aprendermos tal processo de criação simplesmente criando um processo análogo.
Desta forma vemos ainda a antropomorfização perceptória que não resultou em absolutamente nada, pois o raciocínio que se segue parte de um “pré-conceito”: se Deus criou o universo e o homem, se o homem criar um universo e autômatos poderá assistir à Criação e estudá-la, inclusive sendo onipotente para nela interferir!
Caímos nos velhos problemas da gênese do ser, da ordem e da desordem, do “Apeiron” de Anaximandro e das inúmeras tentativas de explicar o Universo através da óptica humana.
Estas questões são básicas para a compreensão da lógica-matemática, da Alquimia, da Cibernética e da TGS de Bertalanffy.
Para provar que existe muito saber científico nas religiões bastaria fazer aqui algumas citações.
Primeiro sobre o caráter linguístico da Ciência, isto é, suas codificações e decodificações da realidade.
Em seguida a analise da lógica sob o prisma esotérico, finalmente a eficiência tecnológica apoiada nas relações matemáticas (K) convivendo com o caráter ideológico, gerando o comportamento preditivo que lhe confere eficácia. O que estou tentando dizer, é que necessariamente não há porque arrancar os cabelos só porque alguém prefere não aceitar a atual dicotomia, a atual taxionomia do que seja sério e louvável, isto é, não há porque banir certas ideias para um lado dizendo que são científicas, e outras ideias para outro, considerando-as fruto de povos primitivos e mentes místicas.
Afinal, tal argumento não é válido para o sistema nazista, no qual a tecnologia e o mito coexistiram de forma estupenda.
Sabemos que A. Rosemberg usou a ideia de um pensador protonazista, H. S. Chamberlain, que por sua vez sofreu influência de R. Wagner, o qual acolheu as ideias anteriores de Gobineau.
Enfim o mito serviu bem ao seu propósito.
Quanto ao se dizer que o perigo é justamente este, ou seja, transformar aspectos religiosos em dogmas, favorecer a volta da Inquisição etc. Creio se tratarem de aspectos importantes mas que são plenamente tratados pela Epistemologia e pela Ética, pois quando as razões econômicas são altas, nenhuma autoridade científica consegue calar os propagandistas dos sistemas. Desta forma não adianta Lisenko contestar a dialética de Marx, ou Galileu a Inquisição, ou Wiener alertar sobre as consequências do mau uso da Cibernética, como Oppenhaimer alertou sobre a Física Nuclear.
Se assim interessar ao sistema novas ideologias deturpam as ideias dos alquimistas e novas Hiroshimas se desfazem!
Para encerrar este trabalho, falarei sobre Bertalanffy, Zen, Alquimia e lógica irracional, finalizando com um lembrete de A. Koester sobre a S.C.C.C.M., isto é, a “Sociedade contra a crueldade para com cavalos mortos”.
Bertalanffy, sem dúvida um erudito, utiliza muitos “conhecimentos”, quer dizer, usa vários campos de estudo para realizar o plano da grande síntese. Mas é interessante notar que ele tem alguns parâmetros significativos nesta obra, a saber: grande erudição, desantropomorfização da ciência, ética e heresia. Com grande “erudição”, quero dizer que Bertalanffy recorre a tudo que é possível para demonstrar a relatividade das categorias (último capítulo), ou seja, que existem três determinantes para o conhecimento humano: são os fatores biológico, cultural e proporcional. Esta é inclusive a mesma colocação de B. Russel quando diz que existem três níveis que diferenciam o conhecimento: psicológico, fisiológico e físico. Notem as analogias: fatores biológicos (Bertalanffy) e fatores fisiológicos (Russel); fatores culturais (Bertalanffy) e fatores psicológicos (Russel); desantropomorfização (Bertalanffy) e saber físico (Russel).
Após apresentar a grande pergunta (o que determina as categorias do conhecimento humano?), através da polêmica suscitada pela discussão da hipótese de B. Whorf (isto é, os padrões linguísticos determinam aquilo que o indivíduo percebe neste mundo e o modo como pensa a respeito do que percebe), Bertalanffy analisa a relatividade biológica do complemento (categorias) trazendo o “Umwelt – Lehre” de Jacob von Uexkull para demonstrar que o conhecimento depende primeiramente da organização psico-física do homem. Assim, todo o organismo reage a um número determinado de estímulos que formam seu ambiente (Umwelt), sendo que se o homem visse e ouvisse mais longe no aspecto das vibrações físicas, teria um mundo muito diferente do deste.
Bertalanffy então coloca que esta concepção não destrói a possibilidade de um saber que não fosse ludibriado pelas características psicofísicas do observador. Porque a percepção deve permitir ao animal descobrir o seu caminho no mundo, e isto seria impossível se as categorias da experiência, o espaço, o tempo etc., fossem inteiramente enganadoras! Estas categorias surgiram na evolução biológica e tem continuamente de se justificar na luta pela existência. Se não correspondessem de certo modo à realidade, seria impossível a reação adequada e esse organismo estaria rapidamente eliminado pela seleção (p. 318). Ludwig von Bertalanffy parte então para a relatividade cultural do conhecimento, relembrando Whorf, Humboldt, e introduzindo uma análise da arte através do conceito de “Kunstwollen” (Riegl) elaborado por Worringer, isto é, a “intenção artística”.
A concepção do mundo vista por diferentes perspectivas, fornece ao artista diferentes possibilidades de representar a realidade.
Desta forma Spengler estende esta tese para as categorias cognoscitivas, afirmando que existem vários e diferentes “estilos de conhecimento”, característicos de certos grupos de seres humanos. Quanto a matemática e a lógica Spengler declara que , uma vez aceito os axiomas elas funcionam universalmente, mas o problema está, justo, nesta aceitação dos a priori (axiomas); deste modo nossa imagem científica do mundo tem apenas valor relativo. Enfim a cultura determina nossas apercepções do mundo, mas tal decodificação sistemática, às vezes, nos causa um obstáculo epistemológico, quando mutila a realidade. Um exemplo disto é a oposição entre o enfoque elementarista e o holístico; deveriam ser complementares.
Bertalanffy faz uma importante colocação no que tange a relação entre linguagem e concepção do mundo. Trata-se do aspecto “bi-direcional informativo”, isto é, a cultura (linguagem) determina “como” captar e decodificar os estímulos. Mas os estímulos (o mundo) também determinam e formam a linguagem, pois novas concepções do mundo determinam a criação de novas palavras e estruturas linguísticas. Com estas noções Bertalanffy introduz a terceira concepção, já anunciada em parte nas outras duas, que é a concepção perspectivista, ou seja, são os limites desta relatividade, limites estes, que agora sim, têm relação com a “relatividade” da Teoria Geral da Relatividade de Einstein; porque geram constantes (K), fixam parâmetros a partir dos referenciais, e mostram que a proporcionalidade não é antropomórfica (cultural) mas advém da natureza; ou então a Física só funcionaria em uma cultura, o que é absurdo.
Desta maneira Bertalanffy mostra que talvez seja possível uma lógica que se adapte aos mais diferentes modelos da erudição humana. O outro parâmetro significativo é a desantropomorfização que é o responsável pela busca das proporções, das constantes, e que justifica a criação de um operador lógico-matemático, capaz de sintetizar o saber humano. Temos a ética e a heresia como determinantes da obra de Bertalanffy também. Estes aspectos acham-se misturados e confundidos (no sentido de “fundidos com”) com noções do Zen, lógica irracional e Alquimia.
Em que sentido? Bem, L. Von Bertalanffy utiliza noções taoístas e Zen-budistas, por exemplo, ao ponderar (p. 329) sobre a possibilidade de “uma razão profunda em virtude da qual nossa representação mental do universo espelha sempre certos aspectos ou perspectivas da realidade”, ele deixa claro que talvez esta razão seja o dualismo, e que, de certa forma, só foi superado na Física pela fórmula de Einstein (E=mc²).
Este tipo de solução einsteniana encontra-se representado na bandeira da Coréia e na filosofia Zen, é o Tao, o caminho do meio.
É interessante observar que há uma preocupação geral com o passado, com as disciplinas hindus, orientais.
E talvez a TGS seja importante, justamente, por permitir que as ideias transitem de um campo para outro.
Este mesmo tipo de argumentação de Bertalanffy é encontrado no projeto de pesquisa de U. Maluf, quando este faz um discurso sobre a possibilidade da construção de uma Lógica Irracional. Segundo Maluf a sistematização (taxionomias) aristotélica impôs ao mundo ocidental uma rigidez de pensamento, no sentido em que a lógica passou a ser bivalente e “sinônimo” de razão e raciocínio. “De certo modo, esse aspecto constringiu as dimensões da lógica, a tal ponto que qualquer outra forma de razão se passou (ou se deixou) denominar ilógico ou irracional. Aqui se incluem as lógicas não-convencionais: hinduísmo, budismo ou taoísmo (p. 1 Maluf).
Notem que existe alguma coisa que nos chama a atenção, mas que não nos fica muito claro, é preciso mais estudos e intercâmbio informativo. Portanto a ética e a heresia vêm juntas porque Bertalanffy tem percepções que pertencem aos padrões orientais, alquímicos, e evidentemente estão ligados à preocupação do como serão utilizadas aquelas ideias. É a mesma preocupação de N. Wiener com o uso da Cibernética, ou de qualquer cientista envolvido com um novo, ou diferente, campo de pesquisa. Esta ética nota-se na honestidade e cuidado com que Bertalanffy expõe suas ideias e as dos outros cientistas, e a heresia advém do desafio, da insatisfação, com a atual ciência. Bertalanffy propõe um “novo” paradigma, a colaboração entre os analistas e os vitalistas (p. 316). Bem, creio que a Alquimia demonstrou em sua acepção esotérica ter a mesma finalidade que a TGS de Bertalanffy. O alquimista busca a síntese, sua lei fundamental é a de analogia. “A parte é o todo e o todo é a parte, pois tudo é um.” Transmutar metais em ouro não é o objetivo mais alto da alquimia e sim a busca do conhecimento perfeito. A ideia de que as propriedades físicas dos materiais dependem exclusivamente de formas e de posições geométricas parece muito semelhante à da física moderna. Vejam o diâmetro e o grafite. Reapareceram no mundo científico contemporâneo as “velhas” ideias dos alquimistas: ciência e moral (ética) são associadas e o segredo, às vezes, é uma necessidade. Os livros, assim como na Física Nuclear, só podem ser lidos pelos iniciados. Pegar “Introduction to nuclear reactor” Theory (de J.R. Lamarsh) para ler, sem conhecer Lógica e Matemática é ineficaz. É importante notar que Rutherford intitulou seu trabalho de 1937 “The newer Alchemy”, e que Frederick Soddy, Prêmio Nobel, declarou que é importantíssimo o estudo, a reflexão, sobre a pedra filosofal e as transmutações, porque foi graças à esta “que surgiram as primeiras fontes da vida física no universo”. A alquimia sempre foi cercada de padrões morais no seu uso, e é exatamente isto que preocupa os cientistas de hoje: a heresia leva Prometeu a roubar o fogo do deuses, fogo que tem “n” aplicações. O homem, mais do que nunca, precisa aprender algo com os antigos, pois o orçamento anual investido em armas traz uma ameaça fatal para a humanidade. O estudo sério, não preconceituoso, do passado, das religiões e dos povos, pode fornecer-nos, no mínimo, uma ética mais eficaz. A alquimia é importante, mas para se aproximar dela é preciso possuir uma hermenêutica particular, o domínio de uma infralinguagem fonética e uma erudição muito bem desenvolvida. A maioria dos especialistas modernos está a milhas desses requisitos básicos. Usar a “navalha de Ocam” ou qualquer outro princípio simplista, pode levar-nos a erros homéricos. E por falar em Homero, quero citar um descendente seu, isto é, um grego que já foi citado por Bertalanffy, Heráclito. Foi encontrado um dito de Heráclito, assim: “A largura do Sol é a de um pé humano”. Acontece que se um sujeito deitar e colocar o pé no direção do Sol este desaparece, portanto, podemos supor que Heráclito estava, na verdade, chamando a nossa atenção para a interferência do instrumento de observação no fenômeno. Quando eu coloco o pé, o sol desaparece! Ora, isto é o que percebeu W. Heisemberg ao formular o princípio da incerteza (indeterminação)! Para finalizar este trabalho quero chamar atenção para a S.C.C.C.M. de A. Koestler. Creio que fazer ciência requer algumas características: memória, inteligência, honestidade (pelo menos intelectual), imaginação etc., e ousadia. A ousadia é a qualidade básica do herético, e a sociedade dá tudo de si para controlar e punir os marginais. A história está cheia á cheia de exemplos: G. Bruno, Galileo, e milhões de outros bruxos e “prometeus”. E o que tem isto tudo a ver com a S.C.C.C.M.? Bem, embora eu não concorde com o conteúdo do apêndice do livro de Koestler totalmente, acho sua ideia brilhante.
A “Sociedade Contra a Crueldade para com os Cavalos Mortos” é uma “alegoria” que Arthur Koestler usa para demonstrar o poder de certas ideias, sua influência na ciência contemporânea, sem que se possa atacar estas ideias (entidades) porquanto todos exclamam: “Mas isto não existe mais, ninguém pensa mais assim.”
Desta forma, impede-se o açoitamento destas ideias porque dizem que estão mortas.
Um exemplo seria o do materialismo ingênuo do século XIX; ninguém mais “liga” para ele, porque estaria ultrapassado graças à Mecânica Quântica; no entanto, quem se dedica a pesquisa em áreas fronteiriças da ciência (Parapsicologia), constantemente “esbarra” com ele, os psicanalistas também sabem disso, Lenine em “Materialismo e Empirismo Crítico” chamou a atenção para as possibilidades inesgotáveis da matéria, e para a necessidade de uma reformulação do materialismo.
Mas não se açoitam cavalos mortos!
Quero deixar claro que este trabalho tem por meta-objetivo a formulação de duas perguntas: a primeira é se será possível uma chave para decifrar o passado cultural da humanidade, isto é, será possível compreendermos exatamente o que os antigos diziam, sem arbitrariedades, interpretacionismos motivados pela nossa cultura?
Descobrir esta chave é descobrir um operador lógico que nos permitirá desantropomorfizar a ciência, inclusive no sentido de não sermos o observador do século XX, mas o observador capaz de humildemente ver aquilo que é, ou que foi.
A segunda pergunta é: se Pitágoras já havia percebido as relações matemáticas, a proporcionalidade, o que impediu o desenvolvimento tecnológico, como o temos agora? Isto é, as ideias formam um sistema a parte da tecnologia?
Afinal muitas ideias já haviam sido cogitadas e o desenvolvimento tecnológico tem apenas uns duzentos, talvez trezentos anos. O que foi realmente o renascimento?
Porque daquelas tendências expansionistas em todos os campos?
Creio que ainda é cedo para respondermos a isto, faltam dados. E quanto a utilidade desta heresia (do meu trabalho), prefiro pegar emprestada a resposta de Benjamin Franklin a uma dama que o inquiria sobre a utilidade dos seus trabalhos sobre a eletricidade: – E qual é a utilidade de um bebê recém-nascido, minha senhora?
Lugão com um aninho no colo da avó.
NOTAS EXPLICATIVAS
1 – (p. 6) – Reificação – processo de tratar conceitos como se fossem coisas (substantivos abstratos como se fossem concretos). Os conceitos estruturais metapsicológicos prestam-se à reificação por aqueles que confiam neles, pois é fácil esquecer que Id, Ego e Superego são conceitos destinados a explicar processos e examinar seus atributos físicos e relações espaciais. Na frase “as transmutações alquímicas são a reificação de processos biológicos e físico-químicos…” indica-se o caráter concreto, existencial, das transmutações advém da má compreensão daquilo que é na verdade um construtor lógico, abstrato, proveniente dos processos dinâmicos da vida.
2 – (p. 10) – Tentativa ouspenkiana – é uma alusão a tentativa de Piktr Demianovich Ouspenky (Moscou, 1878 – Lyme, Surey – Inglaterra, 1947), esoterista e cientista. Em 1914 encontrou-se com Gurdjieff, e a partir daí suas obras estão cheias de suspeitas e ideias profundas. Combinando a lógica do matemático com a visão do místico, foi ele quem, com maior seriedade e precisão, expôs a hipótese da consciência cósmica e do mundo multi-dimensional. Ouspensky tentou harmonizar o ocultismo com as modernas concepções da ciência.
3 – (p. 12) – Antropopercepção – termo cunhado pelo autor do presente trabalho para designar uma percepção antropomórfica, própria do ser humano. É importante notar o alcance do termo porque existe nele uma conotação geral, assim como antropomorfismo, e uma conotação restrita, definida pela expressão “space-time perception”, ou seja, uma percepção de um homem (antropomórfica) porém situado em determinada época ou cultura, o que gera um relativismo perceptivo.
4 – (p. 14) – Dikoumene – termo grego que se tornou de uso corrente na Era Helênica da história grega, após a expansão grega. Refere-se literalmente ao “habitado”, mas na prática, significativa aquilo que os gregos consideravam como: a parte habitada por povos civilizados, não bárbaros.
5 – (p.17) – “Fonte de Lete” – na mitologia grega é uma espécie de rio do esquecimento. Era um dos cinco rios do Inferno (Hades) cujas águas bebiam as sombras para esquecer o passado. A metempsicose de Pitágoras inverteu a função desta fonte, pois o sujeito já não esquecia o passado terrestre, mas a convivência com os deuses. Isto implicaria em maior responsabilidade nas ações que o sujeito fizesse na Terra, porque dependendo de suas ações é que poderia deixar o ciclo de ressurreições (reencarnações). Isto não acontecia antes.
Apêndice (A – p.1) É sabido que Jung colecionou uma série de anotações sobre coincidências que se sucediam no seu dia a dia de trabalho. Desta mesma forma durante a elaboração deste trabalho surgiu uma série de coincidências. Citarei apenas uma para não me estender no tema. Enquanto estava pesquisando a língua latina, meu pai mostrou-me um artigo de uma revista espírita (FEB), no qual vinham falando de Pastorino, eminente linguista e latinista, autor inclusive de 2 (dois) livros que eu consultaria mais tarde.
Apêndice (B – p.1) A respeito do latim é interessante notar que, sendo ensinado numa base de seis horas semanais na Alemanha, e sendo a índole germânica, a cultura teutônica, a psicologia alemã, diferentes da nossa, fica difícil compreender a significância do uso desta língua; o latim é algo como uma linguagem sagrada, que não deve ser usada levianamente. Deste mesmo modo o grego arcaico deve ter tido, asssim como o latim, um ambiente psicológico e uma significância diferentes da atual, pois já não vivemos mais a “space-time perception” da época homérica. Vejamos um exemplo desta “space-time perception” na tradução da expressão: “Peri Physeos”, ou seja, “Sobre a Natureza”. Notamos que esta tradução não reflete exatamente a significância dos termos. Pois é muito provável que o que os gregos entendiam por “phisis” absolutamente não coincide com o que nós, com nossa ciência e nossa tradição, entendemos por “natureza”. O “peri” dos gregos, que é concretamente um “em torno de”, e portanto designa uma aproximação em círculo, também não poderia ser “colado” a palavra “natureza”.
Apêndice ( C – p. 9 ) O teorema de Godhel veio demonstrar que sistemas lógicos são rigorosamente incompletos, pois a verdade de certas preposições que neles figuram permanece sintaxicamente indefinível. O ideal de perfeita compreensão e “univocidade” absoluta das proposições não poderá ser mantido mesmo no campo da matemática e da lógica.
Apêndice ( D – p. 12 ) Demétrio Ivanovitch Mendeleiev (Tobólski – 1834, Leningrado – 1987) químico russo, formulou em 1869 a lei segundo a qual as propriedades físicas e químicas dos elementos constituem uma função do peso atômico. Daí fez a tabela periódica dos elementos. Seu grande mérito consistiu no fato de ter reconhecido a valência como a característica fundamental para a classificação, bem como de ter considerado a combinação dos elementos uma lei natural e não uma classificação de mera conveniência. Nesses condições estabeleceu hipóteses sobre as lacunas de sua tabela e conseguiu predizer as propriedades de 3 elementos então desconhecidos: galio, escândio e germânio.
Apêndice ( E – p. 12 ) Refiro-me a Plutão, que assim como Netuno (descoberto graças a irregularidades no movimento de Urano) foi descoberto por cálculos irregularidades no movimento de Netuno. A glória descoberta é partilhada por Lowell, Pickering e Tombaugh, os dois primeiros calculando a distância, posição e massa, e o último, identificando, em chapas fotográficas comparadas, o procurado astro. A procura começou em 1905 e terminou em 1930, quando foi, oficialmente reconhecido e denominado.
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-Wiener, N. E Veraldi, G. “Cibernética é bruxaria?”. In Planeta, novembro – 1973, vol. 15
-Wiener, N. “Cibernética e Sociedade”. Cultrix – 1973
Além destes foram consultados os números especiais da revista “Planeta”, abaixo relacionados:
– Os mestres do espírito. (ed. Três)
– As sociedades secretas –
Dicionário de ciências ocultas.
Foi também consultado o artigo publicado no n° 29, Janeiro de 1975, intitulado “Filosofia e mística do número”, extraído de “Bres”, o planeta holandês”
ENCICLOPÉDIAS CONSULTADAS
-Enc. Delta Larousse, vol. IX -Enc. Brasileira Mérito, vol. XIII Ed. Mérito. SP -“Literatura grega” in Enc. Prática Jackson, vol. X
SELEÇÕES READER’S DIGEST – O grande livro do maravilhoso e do fantástico.
PARA A LÍNGUA LATINA FORAM CONSULTADOS:
-Gramática Latina. Ed Francisco Alves
-Nóbrega, W.L. “O latim do ginásio”. ed. Nacional – 1961
-Pastorino, C.T. “Latim para os alunos”. 1961
– J. Ozon – 2 vols AGRADECIMENTOS.
(PP) Quero deixar claro que apesar do tema do trabalho, o “PP” não tem relação com a psicopatologia! O significado deste “PP” é muito simples:
1° – Agradeço à paciência do leitor.
2° – Agradeço à providência (e isto é uma coincidência!) por ter me permitido ler o livro de Burger em minha infância, e assim compreender a expressão pictórica de Ludwig von Bertalanffy, quanto aos algoritmos “tomarem” vida própria. (p.324)
-Burger, G.A. “Aventuras do Barão de Munchausen” ed. Nacional 1949.
ALUNO – CELSO LUGÃO DA VEIGA – FGV – ISOP CENTRO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
RJ – BRASIL –
Revisão realizada por Tamine José Lean (Psicóloga – FGV)
Fóssil de mais de cem milhões de anos (Rodrigo L. Veiga)
Fóssil de 600 milhões de anos (Rodrigo L. Veiga)
“Não sei se estou certo ou errado, só o tempo dirá; eu apenas dei um passo, outros continuarão.” Charles Darwin