Nesta seção serão apresentadas obras lidas ao longo desta minha jornada, neste planeta Terra, que se iniciou em 1954.

Na verdade, no início alguém lia para mim, enquanto eu ía aprendendo a arte de decodificar símbolos em sons e significados, dando sentido àquele emaranhado de caracteres.  Na ausência de meus pais, quando estes viajavam, costumava ser minha avó Hermínia.

 Eu sofria de atrozes dores de ouvido, ficando imóvel sobre a cama com a Enciclopédia Trópico (que ainda possuo) ilustrada com suas pinturas sobre um travesseiro apoiado na altura de meu diafragma, enquanto ela lia para mim as diversas histórias. Nestes momentos apenas a leitura acalmava, desviando o foco de minha mente da dor para os temas descritos na enciclopédia. Era o início da percepção de que em certos estados de consciência a dor aumentava e em outros ela diminuía. Os famosos estados dissociados e associados da hipnoterapia.

Eu e minha avó. DSC05848Notem, no detalhe, que meu penteado voltou à moda. DSC05847

 

 

 

 

 

A Enciclopédia Trópico, foi publicada no Brasil em 1957  pela livraria Editora Martins S. A., tendo como diretor técnico José (Giuseppe) Maltese, e reunia dez volumes abordando assuntos gerais.

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 Esta coleção alegrou e enriqueceu minha infância, dando-me uma cultura geral que na verdade ultrapassava a média das pessoas que não se sentiam atraídas pela cultura. Foram livros que li e reli,  recriando inclusive as histórias durante muito tempo. Eu passava horas lendo essa enciclopédia, e mais um tanto de horas brincando sozinho recriando as aventuras. Eu tinha o hábito de brincar sozinho, sentado com a spernas cruzadas, recontando e reinventando muitas das histórias e usava uma manipulação de ambas as mãos nas quais eu segurava, em cada uma, apitos com seus cordões; conforme o ritmo/clima da história se intensificava ou acelerava os movimentos das mãos também se intensificavam e aceleravam. Analisando tal comportamento ou estratégia, percebo que isto gerava um vínculo entre o movimento (cinestesia) e as imagens internas me tornando capaz de contar histórias com uma tal dramaticidade que ainda hoje utilizo com meus clientes.

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Ainda possuo tal enciclopédia, pois quando meu pai morreu, durante o processo de luto, muitos dos livros que estavam em sua casa foram doados a uma livraria. Fiz questão de ir até lá pegá-los de volta. Queria recomprá-los mas o livreiro foi generoso e percebendo o valor sentimental simplesmente me entregou duas coleções de volta. Mais tarde lembrei-me de duas outras pérolas, Tapete de Carne (história erótica mas com uma conclusão filosófica bem interessante) e uma outra, que já me esqueço o nome, mas que era um livro curioso, por exemplo, quando numa passagem um trem entrava num túnel a página ficava preta e as letras brancas, simbolizando a escuridão do túnel. 

Assim, recuperei a enciclopédia Trópico e a excelente coleção A ciência da Vida de  H. G. Wells, Julian Huxley & G. P. Wells A ciência da vida Huxley & Wells

 Portanto, em minha tenra infância me deparei com os temas da mitologia, história, bíblia, ciência, filosofia, geografia e muito mais, todos expostos em documentários, conforme são chamadas as seções dos livros. Vide algumas ilustrações abaixo: considerando que não havia Internet e que a própria Tv a cores ainda estava chegando, estas pinturas eram o máximo. Inicialmente era posto um plástico colorido na frente da tela. Bizarro? No futuro também irão achar toscas algumas das nossas brilhantes idéias atuais.

 

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 Mais tarde, quando aprendi a ler, li dois romances: As Feras de Tarzan (obra de 1946 com 193 páginas) e Nômades do Norte (1935 com 254 páginas) e aí vieram muitas outras. 

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A leitura propicia um estímulo (alimento) ao cérebro muito interessante, pois como nosso cérebro é um simulador da realidade através dela se pode recriar imagens, cenários, sons e sensações que apenas muito tempo depois da década de 1950 (nasci em 1954) o cinema se aproximaria. Tanto assim é que muitas vezes lemos uma obra e não gostamos da adaptação ao cinema. Embora algumas vezes a adaptação seja ruim, em outros casos, o filme não “bate” com nosso filme interno feito previamente durante a leitura. Entretanto, quando isto acontece ficamos fascinados… Foi o que me aconteceu ao ler O nome da Rosa de Umberto Eco e ao ver o excelente filme de Jean-Jacques Annaud . O frade franciscano Guilherme de Baskerville, interpretado por Sean Connery, parece ter saído da minha imaginação para as telas.

No momento estou lendo algumas obras, para citar uma… Muito além do eu de M. Nicolelis da CIA das Letras, que também publicou Em busca da memória de E. Kandel, que já li. Fantásticas revelações das neurociências. Parabéns aos autores e a editora CIA das Letras, pela tradução de obras como estas e outras, vide Oliver Sacks, Richard Dawkins.

 

Sinopse dos livros citados

As Feras de Tarzan (autor: Edgar Rice Burroughs) narra a  luta de Tarzan para resgatar seu filho de terríveis e implacáveis inimigos e o o desespero de Jane.

As feras de Tarzan 1

Cortesia: Companhia Editora Nacional

Nômades do Norte (autor: James Olivier Curwood)  A obra tece a aventura de Miki, um cachorro, e Neewa, um filhote de urso preto das regiões árticas. Após um naufrágio no rio, os amigos ficam perdidos em uma floresta onde tudo é novo e os perigos estão em todos os cantos. O livro narra a adaptação dos animais aos seus domínios à natureza rude.

Nômades do Norte 1

O Nome da Rosa (autor: Umberto Eco), é uma narrativa policial, ambientada em um mosteiro da Itália medieval. A morte de sete monges, ao longo de sete dias e noites desencadeia a ação. Crônica da vida religiosa e dos movimentos heréticos do século XIV, esta obra foi bem recebida pela crítica e pelo público, tanto na literatura como em sua adaptação para o cinema.

Livro O nome da RosaO Nome da Rosa